Terça-feira, Janeiro 23, 2007

do fim

Passou um ano, um ano de ideias que foram tropeçando no tempo e nelas próprias. Dias que sucederam a dias e que deram lugar a mais dias, a novos dias e a mais dias. Um largo pode muito bem ser isso mesmo, um grande conjunto de tempo a passar.

Este largo teve altos e baixos. No fundo, o reflexo dos dias que passaram. Não pretendia ser nada mais do que foi. Sem grandes objectivos à partida era difícil falhar. Procurou não ofender e se ofendeu desde já as minhas desculpas aos visados. Procurou não promover ideias feitas, que não as minhas que, por serem minhas, podem muito bem ser ideias feitas. Procurou comunicar com outros largos e comunicou. Agora é tempo de outras paragens, tempo para outros dias e para novos tropeções. Abraço. O largo fica por aqui.

Segunda-feira, Janeiro 22, 2007

fico em branco

Desculpem-me os mais decididos, mas bem vistas as coisas, no referendo que se aproxima, o voto em branco é o que me dá mais garantias. Ele é aliás o único que me garante qualquer coisa. Desde logo a garantia de que vou perder. É muito provável que ganhe a abstenção. O sim também tem grandes hipóteses de ganhar. Mas como aconteceu no referendo anterior, se os portugueses arranjarem qualquer coisa de interessante para fazer nesse dia, também o não pode vencer. Está de facto tudo em aberto e só os brancos não ganharão.

Ao contrário de 1998, não me consigo definir por qualquer uma das partes em confronto. Na altura abdiquei de ir à praia, vim de propósito a Torres Novas, votei e perdi. Como não me parece bem que se volte agora a questionar aquele resultado, principalmente para as pessoas que trabalharam para o conseguir, o voto em branco é aquele que me permite fazer-lhes alguma justiça, sem necessariamente apoiar uma causa que não é minha. Por outro lado, se o não voltar a ganhar, quantos mais referendos vamos ter sobre a interrupção voluntária da gravidez?

Mas o meu voto em branco é também de protesto dirigido à Assembleia da República, que neste caso se abstém de legislar quando não encontro qualquer razão suficientemente forte para que o faça. Não lhe darei esse gosto. Votarei em branco para que percebam que o voto depositado tem que servir para qualquer coisa. Se não o fizer, qualquer dia estão-me a perguntar sobre a localização do novo aeroporto, sobre o traçado do TGV ou sobre a reforma do sigilo bancário.

A verdade é que discordo frontalmente que uma mulher seja perseguida judicialmente por ter interrompido voluntariamente uma gravidez, algo que é seguramente e por definição um momento penoso. Mas também tenho grandes dúvidas que alguém possa decidir sozinho o futuro de um feto gerado a dois, à luz da máxima “na minha barriga mando eu”, que me parece apenas mais um grande exemplo do individualismo que singra na sociedade actual.

Por outro lado, excluindo as ínfimas (mas existentes) possibilidades de falha dos métodos contraceptivos e os casos de violação salvaguardados na lei, não encontro razões efectivas para que actualmente alguém engravide sem querer. Neste contexto, será a desresponsabilização a melhor resposta à irresponsabilidade? Com estas dúvidas, o melhor que posso fazer é votar em branco. Não me trará qualquer problema de consciência, não prejudica ninguém e ajudará que o resultado apurado seja considerado vinculativo. É mais um voto e está garantido: vou perder.

ponte pedro e inês

Coimbra, Janeiro de 2007.

a nova ponte pedonal "pedro e inês", em Coimbra, é extremamente agradável, sobretudo numa qualquer madrugada de Janeiro. a obra está lá, no âmbito das intervenções do Programa Polis e ainda não serve para passar para lado nenhum porque o resto do parque do lado de Santa Clara não está pronto. mas são aos milhares os que por lá passeiam no fim-de-semana, à tarde claro está. gostei, mas continuo a achar que tem um piquinho...

Domingo, Janeiro 21, 2007

um disco com "37" anos

está finalmente à venda o albúm "1970" de JP Simões. o "familiar" do abraço é um profundo exagero do artista...

Quinta-feira, Janeiro 18, 2007

nina simone

nasceu Eunice Waymon em 1933 e aos onze anos, convidada para dar um recital na sala da municipalidade, não hesitou em anunciar que só tocaria quando aos seus pais, orgulhosos com o momento, fosse dada permissão para se sentarem nos lugares de frente destinados às famílias brancas e dos quais já haviam sido expulsos. música para acabar o dia, reflectir na semana quase concluída e pensar no fim-de-semana que aí vem. para o que for ou só para ouvir.

carlos relvas

parece que finalmente vamos poder visitar a casa e a obra de Carlos Relvas, uma vez que está já marcada a abertura da sua casa-estúdio depois das complexas obras de recuperação. e este é um marco importante para a Golegã e para toda a região porque para além do interesse óbvio da casa, um monumento fantástico que seguramente atrairá muitos visitantes, há ainda a possibilidade de conhecer a obra de um fotógrafo que foi um inovador em Portugal.

a construção da casa-estúdio na "objectiva" de Carlos Relvas.

há contudo algo que não pude deixar de notar a partir das notícias vindas a público: a casa-estúdio mostrará uma colecção de cerca de uma centena de fotografias. é pouco. não percebo. eu lembro-me de visitar a casa e ver pelo chão inúmeras fotografias e provas, todas espalhadas. deve haver milhares de imagens de Carlos Relvas. a ideia foi arranjar a casa e deixar o principal do seu espólio na capital?

mais uma vez, parece comprovar-se que ao restante território nacional que em Lisboa se considera "a província", estará vedado o acesso às principais manifestações culturais. sob pena de poder estar a ser injusto vou esperar para ver o que será exposto e disponibilizado na "vertente multimédia". falamos mais tarde.

Terça-feira, Janeiro 16, 2007

pessoal e transmissível

há dois jornalistas portugueses por quem tenho profunda admiração. Mario Crespo (SIC) e Carlos Vaz Marques (TSF). o primeiro assegura o melhor momento da televisão portuguesa, o jornal das 9 da SIC Notícias (ainda há pouco o ministro do ambiente parecia insuflar perante questões que mais ninguém parece conseguir colocar a um governante daquela maneira). as entrevistas do segundo são já um marco da rádio em Portugal e escuso-me a mais comentários. aqui fica um exemplo, com a entrevista a JP Simões, que ajuda a terminar da melhor forma um dia que não correu bem.

torres novas. 2005

Segunda-feira, Janeiro 15, 2007

não se enganem

aconteça o que acontecer esta noite, na entrega dos globos de ouro, Babel é o filme do ano. mesmo que os críticos do Público o considerem de dispensável ou a evitar.

Sarkozy


Das próximas eleições presidenciais francesas sairá muito do futuro da Europa para os próximos anos. Não obstante sejam evidentes as contradições da candidata socialista, a sua vitória parece-me o cenário mais provável. A senhora ganhará: surge no fim de um ciclo, o partido socialista parece estar mobilizado e a novidade do género também ajudará, num país que sem saber bem o quê, sente precisar de qualquer coisa nova.

Mas muita coisa pode ainda acontecer. A população francesa exigirá medidas concretas no que respeita à ordem e à segurança nas cidades, bem como à ocupação dos jovens e ao emprego. De Sarkozy já se ouviram algumas ideias de força, mesmo que polémicas. Ségoléne ainda não revelou nada que indique uma clara mudança de rumo. A seguir com atenção neste início do ano.

histórias como esta

têm normalmente um triste final.

Na cerimônia de investidura, Flores anunciou que o legislativo outorgará poderes especiais a Chávez para adiantar uma reforma constitucional. Isto permitirá ao Governo pôr em marcha as transformações anunciadas na passada segunda-feira, que incluem, entre outras coisas, a nacionalização das telecomunicações e a eletricidade, bem como a eliminação da autonomia do Banco Central.

O juramento de Chávez (que assumiu pela primeira vez a presidência em 1999) é o segundo que se realiza sob a nova Constituição venezuelana, promovida pelo próprio presidente faz mais de seis anos. Nela, introduziram-se reformas como a reeleição imediata e a ampliação do termo presidencial de cinco a seis anos. Ainda que a Constituição vigente lhe impeça voltar a apresentar-se às eleições, o mandatário prometeu convocar a um referendum para abolir esta restrição.

Domingo, Janeiro 14, 2007

Fernando Lemos

Fernando Lemos. Autoretrato, 1949-52

Este é um post sobre a exposição de fotografia de Fernando Lemos, patente na Galeria dos Paços do Concelho de Tomar, integrada no núcleo de arte contemporânea do museu municipal daquela cidade. É domingo, em Janeiro. O tempo está frio mas solarengo. À saída de Torres Novas centenas de carros apoderam-se das imediações do torreshoping. Faço bom uso do novo traçado do IC3 que em dez minutos me coloca em Tomar. Chego e estaciono. Recebe-me um centro da cidade com muita gente na rua. Há uma pequena feira de velharias e não sei se por causa disso, há muita gente na rua. Na Praça da República conversam José Augusto França e o presidente da edilidade. Não me tento sequer a imaginar o que falam. Ainda faltam alguns minutos para a inauguração, aproveito para circular mais um pouco. Vejo lojas abertas, casas em muito mau estado de conservação, casas recuperadas e casas novas. vejo muita gente na rua. A exposição é pequena mas muito interessante para conhecermos o fotógrafo surrealista. Saio contente. Passo pela loja do mundo rural e compro um pequeno frasco de pasta de azeitonas da Quinta da Rainha. Não sei se para compensar qualquer azedume. À chegada, centenas de carros continuam amontoados no Nicho. Vou jantar e provar a minha iguaria local.